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15 de nov. de 2013

Sobre Cat Stevens




Sobre Cat Stevens

De ascendência grega, nascido na capital inglesa, Londres, em 1948, o cantor e compositor Cat Stevens costura canções de tendência folk, tendo se tornado um ícone do gênero.

Oh very Young, Moonshadow, Father and son, Old school yard e I love my dog despontam entre suas cativantes canções. Cantor e compositor de bons recursos, embora opte por caminhos musicais geralmente mais simples, Cat Stevens coleciona uma numerosa e exigente legião de seguidores e fãs.

Em 1978, todavia, abandonou o mundo da música, convertendo-se ao universo islã – o que o tornariapersona non grata dentro dos EUA e de Israel, onde sua presença não era tolerada. Em seu álbumIsitso, porém, Cat Stevens já prenunciava seu afastamento na bela canção I never wanted to be a star(em que confessava categoricamente que jamais pretendera tornar-se uma estrela).

Três décadas depois, porém, o velho Stevens retorna, ainda que timidamente, atendendo pelo nome de Yusuf Islam. Para tal, montou uma espécie de Café do Yusuf, no qual toca em companhia do filho, violonista e guitarrista. E vez em quando recebe convidados do mundo da música. Recentemente, o compositor paulista Renato Teixeira fez versão de Father and son, traduzindo literalmente o título original. Além disso, Yusuf gravou algumas canções suas em releituras geniais e sensíveis, inclusive ao lado de nomes como Peter Gabriel, o ex-líder do grupo Gênesis, que passou a ser liderado após sua saída, ainda nos anos 70, pelo compositor Phil Collins.






20 de jun. de 2011

- São Paulo -





Fusão dos universos urbano e rural e revalorização da cultura popular
–  São Paulo  –

...e ver o mar às vezes bem que é preciso
pra ter certeza de ainda estar-se vivo
mesmo que o casco esteja velho
e corroído...

dizia o compositor Renato Teixeira em sua canção Olhos profundos. Um dos nomes mais importantes da MPB, em especial a partir dos anos 70, santista criado em Taubaté, Teixeira, através de soluções harmônicas por vezes surpreendentemente simples, impõe-se de modo sutil, criativo e visceral, e sussurra ao cantar – um João Gilberto do Brasil de dentro. Considerado um dos mais legítimos nomes ligados à linhagem folk no Brasil,  Renato Teixeira assina clássicos como Romaria, imortalizada na voz de Elis Regina, e Amanheceu, peguei a viola, além de temas com o pantaneiro Almir Sater, como Tocando em frente.

Em linha próxima, temos Passoca, autor de Sonora garoa, e que fez um CD onde reúne clássicos do cancioneiro caipira, como Angelino de Oliveira (Tristeza do Jeca), Cornélio Pires (Jorginho do sertão), João Pacífico e Raul Torres (Pingo d’água), Tião Carreiro (Rio de lágrimas, parceria com Lourival dos Santos e Piraci), entre outros.

Destacam-se também nomes como os do cantor e ator Rolando Boldrin, autor de Amor de violeiro e Vide vida marvada (que abria seu excelente programa Som Brasil), e o do violeiro e compositor Adauto Santos, autor de Triste berrante. O casal Osvaldinho Viana e Mariza (No balança da rede e Pedra de rio) também marca o interior paulista, o Brasil de dentro. Assim como os irmãos – bluezeiros caipiras – Paulo e Jean Garfunkel (autores de Mazzaropi). Jean e Pratinha compuseram Passarinheiro. Emblemática é também a presença da cantora e pesquisadora Inezita Barroso.

Nome importante, experimental, é o de Luiz Tatit, autor de Boa noite juntamente com o irmão Paulo Tatit – ; Luiz assina Alguém total com Dante Ozzetti. Junto com Ná Ozzetti, eles integraram o grupo Rumo. Possuem bela obra inclusive para o público infantil. Luiz Tatit compôs também com Arnaldo Antunes Criança não trabalha. Zé Miguel Wisnik assina Simples e Baião de quatro toques – esta com o próprio Luiz Tatit.

Natan Marques, de Sai dessa e Comboio, é violonista e guitarrista de inclinação jazzística, e acompanhou por vários anos nomes como Elis Regina e Renato Teixeira, cujos filhos Chico Teixeira (de Alvorada brasileira e Curvelo, esta em parceria com o pai) e João Lavraz (de Encostada na varanda, também em parceria com o pai) começam a despontar.

São Paulo já revelara Guilherme Arantes (Meu mundo e nada mais, Planeta água e Brincar de viver), além de Walter Franco (Coração tranqüilo e Serra do luar). E também Carlinhos Vergueiro (Por que será?, parceria com Toquinho e Vinicius, e Tocaia de cobra, com Paulo César Pinheiro), e o próprio Toquinho (de O caderno, parceria com Mutinho, e Tarde em Itapoá, com o eterno parceiro Vinicius de Moraes).

Na linhagem do samba paulista, com o qual fartou-se o grupo Demônios da Garoa, temos o grande Adoniran Barbosa (Trem das onze e Saudosa maloca). Na velha guarda, destaca-se também Paulo Vanzolini (de Ronda e Cuitelinho – mas esta não é samba e é colhida do folclore, por Vanzolini e Antonio Xandó). Nos anos 70, estoura Benito di Paula, pianista do samba (de Retalhos de cetim e Charlie Brown).

O nome de Eduardo Gudin (Verde, e Maior é Deus – esta em parceria com Paulo César Pinheiro) começou a surgir nacionalmente em festival global através da voz forte de Leila Pinheiro. Gudin também assina canção gravada pelo MPB4: Velho ateu – parceria com Roberto Riberti, autor de Passageiro. Já Itamar Assunção (de Mal menor e Por que não pensei nisso antes?), engrossava a lista dos malditos, tendo já trabalhado com o paranaense Arrigo Barnabé (de Clara crocodilo, e que experimentava composições atonais – que começavam com determinado acorde, e na medida em que a canção se desenvolvia, não voltava no fim da canção para o acorde original).

Outro nome fundamental revelado pelo estado paulista é o do multiinstrumentista, pesquisador e compositor Egberto Gismonti, um dos músicos mais admirados e respeitados do mundo, e que se impôs naturalmente com álbuns definitivos como Dança das cabeças e Trenzinho do caipira, momento em que homenageia o mestre Villalobos.

No começo dos anos 70,  nomes como João Ricardo, Gerson Conrad e Ney Matogrosso reúnem -se em torno do grupo Secos e Molhados, de sucessos como Sangue latino e Rosa de Hiroshima (comovente momento em que Conrad musica o célebre poema de Vinicius de Moraes).

Arnaldo Antunes, Nando Reis, Paulo Miklos e Charles Gavin dominavam a cena do rock paulista a frente do grupo Titãs – de Comida (de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito) e Pra dizer adeus (de Tony Belloto e Nando
Reis).

Como quer que seja, e cada um na sua, bem ao gosto de um lugar tão marcadamente plural, cada um desses cantores/cantoras, grupos, compositores/compositoras sabe no fundo que o fundamental mesmo é prosseguir com seu canto... pra ter certeza de ainda estar-se vivo / mesmo que o casco esteja velho e corroído.







"Olhos profundos" - Renato Teixeira


15 de ago. de 2010

Sobre Cat Stevens

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Sobre Cat Stevens

De ascendência grega, nascido na capital inglesa, Londres, em 1948, o cantor e compositor Cat Stevens costura canções de tendência folk, tendo se tornado um ícone do gênero.

Oh very Young, Moonshadow, Father and son, Old school yard e I love my dog despontam entre suas cativantes canções. Cantor e compositor de bons recursos, embora opte por caminhos musicais geralmente mais simples, Cat Stevens coleciona uma numerosa e exigente legião de seguidores e fãs.

Em 1978, todavia, abandonou o mundo da música, convertendo-se ao universo islã – o que o tornaria persona non grata dentro dos EUA e de Israel, onde sua presença não era tolerada. Em seu álbum Isitso, porém, Cat Stevens já prenunciava seu afastamento na bela canção I never wanted to be a star (em que confessava categoricamente que jamais pretendera tornar-se uma estrela).

Três décadas depois, porém, o velho Stevens retorna, ainda que timidamente, atendendo pelo nome de Yusuf Islam. Para tal, montou uma espécie de Café do Yusuf, no qual toca em companhia do filho, violonista e guitarrista. E vez em quando recebe convidados do mundo da música. Recentemente, o compositor paulista Renato Teixeira fez versão de Father and son, traduzindo literalmente o título original. Além disso, Yusuf gravou algumas canções suas em releituras geniais e sensíveis, inclusive ao lado de nomes como Peter Gabriel, o ex-líder do grupo Gênesis, que passou a ser liderado após sua saída, ainda nos anos 70, pelo compositor Phil Collins.


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1 de ago. de 2009

- O Sul do Brasil -

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Fusão dos universos urbano e rural e revalorização da cultura popular
– O Sul do Brasil –
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Por Alvaro Barcellos
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...eu sou do fim do sul do fundo do quintal do país...,
cantavam os Almôndegas, em Alô buenas (Kleiton e Kledir Ramil), do último álbum da banda, Circo de marionetes, de 1978.
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O Rio Grande do Sul conta com uma série de músicos, poetas e compositores que, pela qualidade de suas obras, merecem destaque – alguns já o obtiveram, outros decerto ainda o obterão. Outros talvez, porém, jamais obtenham o reconhecimento devido (especialmente país afora).
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Por várias razões, quer de origem geográfica (por ter um clima bastante diferenciado, gerando talvez algo particularmente próprio, como insinua a Estética do frio, do compositor, cantor e escritor Vitor Ramil), quer de origem histórica – como no movimento Farroupilha, que quase isolou mesmo o Rio Grande do restante do país em meados dos anos 1800.
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Entretanto, o país já acostumou-se a aplaudir no passado compositores que ganharam grande consagração, como Lupicínio Rodrigues (Nervos de aço e Felicidade), do mesmo modo que hoje cultua nomes como Yamandu Costa (violão) e Renato Borghetti (gaita-ponto). Além de Kleiton e Kledir (Maria fumaça e Navega coração), Adriana Calcanhoto (Esquadros e Água perrier, parceria com Antonio Cícero).
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Outros compositores começam a ganhar projeção, como Vitor Ramil, pelotense como os irmãos K & K, recentemente contemplado com o cobiçado Prêmio Tim. Vitor é autor de Loucos de cara, parceria com Kleiton, e Sapatos em Copacabana, já tendo sido gravado por nomes como Mercedes Sosa (Não é céu) e Gal Costa (Estrela estrela).
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Também nomes como Nei Lisboa (já gravado por Cida Moreira), autor de Não me pergunte a hora e Noves fora, ambas com Augusto Licks – da banda Engenheiros do Haway, que também ganhou projeção, assim como a banda Nenhum de nós.
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Outros compositores que se projetaram são Bebeto Alves (Depois da chuva e De um bando), Nelson Coelho de Castro (Armadilha e Vim vadiá), Giba Giba (Lugarejo, parceria com Wanderley Falkenberg, e Beirando o rio, com Celso Ferreira), Gelson Oliveira – que já tocou com o grupo Tarancón – e é autor de Tempo ao tempo, Raul Ellwanger, de Pialo de sangue – já gravado pelo compositor argentino Leon Gieco e por cantoras do porte de Elis Regina e Mercedes Sosa –, Totonho Villeroy (Don Vicenzo loco, com Gastão Villeroy), já gravado por Ana Carolina.
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Temos ainda a irreverente dupla Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, do espetáculo Tangos e tragédias. Ganharam projeção também Mario Barbará (Desgarrados, com Sergio Napp, e Velhas brancas), os missioneiros Telmo de Lima Freitas (Esquilador e Prenda minha) e Noel Guarani (Tropeiro, com Jaime Caetano Braun, e Potro sem dono), além de Zé Caradípia, gravado por Zizi Possi (Asa morena), Hermes Aquino, de Nuvem passageira, que compôs em parceria com nomes como Tom Zé (Você gosta?), Jerônimo Jardim (Purpurina), interpretada por Lucinha Lins, vencedora de festival da Globo, Marco Aurélio Vasconcellos (Gaudêncio sete luas, gravada pelos Almôndegas, e Cordas de espinho – ambas com Luiz Coronel) e Pery Souza – primo de Vitor, Kleiton e Kledir, e fundador dos Almôndegas. Pery já foi gravado pela cantora Olivia Hime, e é autor de Noite de São João, parceria com Kledir, Estrela guria, com Fogaça, Pampa de luz (com Luiz de Miranda) e Milonga borgeana (com Jaime Vaz Brasil).
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Temos ainda outros nomes importantes, como Pedro Munhoz (Procissão dos retirantes, parceria com Martim César, Outras viagens, parceria com Alvaro Barcellos, e Te mando notícia de mim). Além de Helio Ramirez, de Cristina, a louca das ervas e Maria charqueadas e fronteiras.
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Sem contar os já falecidos, prematuramente, Carlinhos Hartlieb (É tão bom saber e Maria da Paz) e Basílio Conceição (Groenlândia e Canção para minha prenda).
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Ah, só pra lembrar: os Almôndegas emplacaram nacionalmente ao menos um grande sucesso: Canção da meia-noite, de Zé Flavio, e que foi trilha da telenovela Saramandaia, obra ligada ao realismo fantástico, de Dias Gomes.
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O Rio Grande do Sul, definitivamente, conta com todos os ingredientes para contribuir decisivamente para o enriquecimento da MPB. Mas o gaúcho resiste, inclusive por conta de um grande apego a essa terra, que fica aqui... No fundo do quintal do país.
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