1 de ago de 2009

- O Sul do Brasil -

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Fusão dos universos urbano e rural e revalorização da cultura popular
– O Sul do Brasil –
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Por Alvaro Barcellos
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...eu sou do fim do sul do fundo do quintal do país...,
cantavam os Almôndegas, em Alô buenas (Kleiton e Kledir Ramil), do último álbum da banda, Circo de marionetes, de 1978.
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O Rio Grande do Sul conta com uma série de músicos, poetas e compositores que, pela qualidade de suas obras, merecem destaque – alguns já o obtiveram, outros decerto ainda o obterão. Outros talvez, porém, jamais obtenham o reconhecimento devido (especialmente país afora).
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Por várias razões, quer de origem geográfica (por ter um clima bastante diferenciado, gerando talvez algo particularmente próprio, como insinua a Estética do frio, do compositor, cantor e escritor Vitor Ramil), quer de origem histórica – como no movimento Farroupilha, que quase isolou mesmo o Rio Grande do restante do país em meados dos anos 1800.
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Entretanto, o país já acostumou-se a aplaudir no passado compositores que ganharam grande consagração, como Lupicínio Rodrigues (Nervos de aço e Felicidade), do mesmo modo que hoje cultua nomes como Yamandu Costa (violão) e Renato Borghetti (gaita-ponto). Além de Kleiton e Kledir (Maria fumaça e Navega coração), Adriana Calcanhoto (Esquadros e Água perrier, parceria com Antonio Cícero).
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Outros compositores começam a ganhar projeção, como Vitor Ramil, pelotense como os irmãos K & K, recentemente contemplado com o cobiçado Prêmio Tim. Vitor é autor de Loucos de cara, parceria com Kleiton, e Sapatos em Copacabana, já tendo sido gravado por nomes como Mercedes Sosa (Não é céu) e Gal Costa (Estrela estrela).
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Também nomes como Nei Lisboa (já gravado por Cida Moreira), autor de Não me pergunte a hora e Noves fora, ambas com Augusto Licks – da banda Engenheiros do Haway, que também ganhou projeção, assim como a banda Nenhum de nós.
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Outros compositores que se projetaram são Bebeto Alves (Depois da chuva e De um bando), Nelson Coelho de Castro (Armadilha e Vim vadiá), Giba Giba (Lugarejo, parceria com Wanderley Falkenberg, e Beirando o rio, com Celso Ferreira), Gelson Oliveira – que já tocou com o grupo Tarancón – e é autor de Tempo ao tempo, Raul Ellwanger, de Pialo de sangue – já gravado pelo compositor argentino Leon Gieco e por cantoras do porte de Elis Regina e Mercedes Sosa –, Totonho Villeroy (Don Vicenzo loco, com Gastão Villeroy), já gravado por Ana Carolina.
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Temos ainda a irreverente dupla Hique Gomez e Nico Nicolaiewsky, do espetáculo Tangos e tragédias. Ganharam projeção também Mario Barbará (Desgarrados, com Sergio Napp, e Velhas brancas), os missioneiros Telmo de Lima Freitas (Esquilador e Prenda minha) e Noel Guarani (Tropeiro, com Jaime Caetano Braun, e Potro sem dono), além de Zé Caradípia, gravado por Zizi Possi (Asa morena), Hermes Aquino, de Nuvem passageira, que compôs em parceria com nomes como Tom Zé (Você gosta?), Jerônimo Jardim (Purpurina), interpretada por Lucinha Lins, vencedora de festival da Globo, Marco Aurélio Vasconcellos (Gaudêncio sete luas, gravada pelos Almôndegas, e Cordas de espinho – ambas com Luiz Coronel) e Pery Souza – primo de Vitor, Kleiton e Kledir, e fundador dos Almôndegas. Pery já foi gravado pela cantora Olivia Hime, e é autor de Noite de São João, parceria com Kledir, Estrela guria, com Fogaça, Pampa de luz (com Luiz de Miranda) e Milonga borgeana (com Jaime Vaz Brasil).
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Temos ainda outros nomes importantes, como Pedro Munhoz (Procissão dos retirantes, parceria com Martim César, Outras viagens, parceria com Alvaro Barcellos, e Te mando notícia de mim). Além de Helio Ramirez, de Cristina, a louca das ervas e Maria charqueadas e fronteiras.
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Sem contar os já falecidos, prematuramente, Carlinhos Hartlieb (É tão bom saber e Maria da Paz) e Basílio Conceição (Groenlândia e Canção para minha prenda).
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Ah, só pra lembrar: os Almôndegas emplacaram nacionalmente ao menos um grande sucesso: Canção da meia-noite, de Zé Flavio, e que foi trilha da telenovela Saramandaia, obra ligada ao realismo fantástico, de Dias Gomes.
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O Rio Grande do Sul, definitivamente, conta com todos os ingredientes para contribuir decisivamente para o enriquecimento da MPB. Mas o gaúcho resiste, inclusive por conta de um grande apego a essa terra, que fica aqui... No fundo do quintal do país.
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