20 de jun de 2011

- São Paulo -





Fusão dos universos urbano e rural e revalorização da cultura popular
–  São Paulo  –

...e ver o mar às vezes bem que é preciso
pra ter certeza de ainda estar-se vivo
mesmo que o casco esteja velho
e corroído...

dizia o compositor Renato Teixeira em sua canção Olhos profundos. Um dos nomes mais importantes da MPB, em especial a partir dos anos 70, santista criado em Taubaté, Teixeira, através de soluções harmônicas por vezes surpreendentemente simples, impõe-se de modo sutil, criativo e visceral, e sussurra ao cantar – um João Gilberto do Brasil de dentro. Considerado um dos mais legítimos nomes ligados à linhagem folk no Brasil,  Renato Teixeira assina clássicos como Romaria, imortalizada na voz de Elis Regina, e Amanheceu, peguei a viola, além de temas com o pantaneiro Almir Sater, como Tocando em frente.

Em linha próxima, temos Passoca, autor de Sonora garoa, e que fez um CD onde reúne clássicos do cancioneiro caipira, como Angelino de Oliveira (Tristeza do Jeca), Cornélio Pires (Jorginho do sertão), João Pacífico e Raul Torres (Pingo d’água), Tião Carreiro (Rio de lágrimas, parceria com Lourival dos Santos e Piraci), entre outros.

Destacam-se também nomes como os do cantor e ator Rolando Boldrin, autor de Amor de violeiro e Vide vida marvada (que abria seu excelente programa Som Brasil), e o do violeiro e compositor Adauto Santos, autor de Triste berrante. O casal Osvaldinho Viana e Mariza (No balança da rede e Pedra de rio) também marca o interior paulista, o Brasil de dentro. Assim como os irmãos – bluezeiros caipiras – Paulo e Jean Garfunkel (autores de Mazzaropi). Jean e Pratinha compuseram Passarinheiro. Emblemática é também a presença da cantora e pesquisadora Inezita Barroso.

Nome importante, experimental, é o de Luiz Tatit, autor de Boa noite juntamente com o irmão Paulo Tatit  ; Luiz assina Alguém total com Dante Ozzetti. Junto com Ná Ozzetti, eles integraram o grupo Rumo. Possuem bela obra inclusive para o público infantil. Luiz Tatit compôs também com Arnaldo Antunes Criança não trabalha. Zé Miguel Wisnik assina Simples e Baião de quatro toques – esta com o próprio Luiz Tatit.

Natan Marques, de Sai dessa e Comboio, é violonista e guitarrista de inclinação jazzística, e acompanhou por vários anos nomes como Elis Regina e Renato Teixeira, cujos filhos Chico Teixeira (de Alvorada brasileira e Curvelo, esta em parceria com o pai) e João Lavraz (de Encostada na varanda, também em parceria com o pai) começam a despontar.

São Paulo já revelara Guilherme Arantes (Meu mundo e nada mais, Planeta água e Brincar de viver), além de Walter Franco (Coração tranqüilo e Serra do luar). E também Carlinhos Vergueiro (Por que será?, parceria com Toquinho e Vinicius, e Tocaia de cobra, com Paulo César Pinheiro), e o próprio Toquinho (de O caderno, parceria com Mutinho, e Tarde em Itapoá, com o eterno parceiro Vinicius de Moraes).

Na linhagem do samba paulista, com o qual fartou-se o grupo Demônios da Garoa, temos o grande Adoniran Barbosa (Trem das onze e Saudosa maloca). Na velha guarda, destaca-se também Paulo Vanzolini (de Ronda e Cuitelinho – mas esta não é samba e é colhida do folclore, por Vanzolini e Antonio Xandó). Nos anos 70, estoura Benito di Paula, pianista do samba (de Retalhos de cetim e Charlie Brown).

O nome de Eduardo Gudin (Verde, e Maior é Deus – esta em parceria com Paulo César Pinheiro) começou a surgir nacionalmente em festival global através da voz forte de Leila Pinheiro. Gudin também assina canção gravada pelo MPB4: Velho ateu – parceria com Roberto Riberti, autor de Passageiro. Já Itamar Assunção (de Mal menor e Por que não pensei nisso antes?), engrossava a lista dos malditos, tendo já trabalhado com o paranaense Arrigo Barnabé (de Clara crocodilo, e que experimentava composições atonais – que começavam com determinado acorde, e na medida em que a canção se desenvolvia, não voltava no fim da canção para o acorde original).

Outro nome fundamental revelado pelo estado paulista é o do multiinstrumentista, pesquisador e compositor Egberto Gismonti, um dos músicos mais admirados e respeitados do mundo, e que se impôs naturalmente com álbuns definitivos como Dança das cabeças e Trenzinho do caipira, momento em que homenageia o mestre Villalobos.

No começo dos anos 70,  nomes como João Ricardo, Gerson Conrad e Ney Matogrosso reúnem -se em torno do grupo Secos e Molhados, de sucessos como Sangue latino e Rosa de Hiroshima (comovente momento em que Conrad musica o célebre poema de Vinicius de Moraes).

Arnaldo Antunes, Nando Reis, Paulo Miklos e Charles Gavin dominavam a cena do rock paulista a frente do grupo Titãs – de Comida (de Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito) e Pra dizer adeus (de Tony Belloto e Nando
Reis).

Como quer que seja, e cada um na sua, bem ao gosto de um lugar tão marcadamente plural, cada um desses cantores/cantoras, grupos, compositores/compositoras sabe no fundo que o fundamental mesmo é prosseguir com seu canto... pra ter certeza de ainda estar-se vivo / mesmo que o casco esteja velho e corroído.







"Olhos profundos" - Renato Teixeira


2 comentários:

Teresinha Brandão (Tê) disse...

Excelente e breve panorama este!

Fico com...

"Coração tranquilo", do Walter Franco.

Bjuuu, Arviii!
Tê!

Anônimo disse...

Ah, não, Alviii!
Esta música o Renato Teixeira fez pra mim!!!!
Kkkk!
Linda, linda!
"Diga ao povo que eu cedo!".
Esquece a do Walter Franco! ... Ou melhor: 2º lugar na parada Alvaro Barcellos, rsrs!

Mas é linda!!!

Bjão! Tê!