11 de abr de 2012

No porão






No porão
                                                                       Para Mario Quintana

Eu às vezes perco as forças:
só me encontro na canção.
Nela me acho, me aprumo,
feito o herói em seu porão.

E remexo bugigangas
e velhas quinquilharias
que de repente se mostram
no escuro ou na luz do dia.


No meu porão eu aos poucos      
junto-me aos quatro elementos
e organizo minhas dores
no dorso feroz dos ventos.


E assim o meu porão
sem que eu imaginasse
se mostra então surpreendente
me revelando outras faces.

Por onde terei andado
no silêncio de meus passos?
Eu sorrateiro me escondo
entre alegria e cansaço.


Eu às vezes perco as forças.
Nem sei de espaço ou momento:
então procuro Quintana
na Rua dos Cataventos.

E remexo bugigangas:
muitos lances eu invento
quando me escondo do tempo
no porão dos sentimentos.



Um comentário:

Marisete Zanon disse...

Lindo, lindo!!!