7 de out de 2009

Barroco

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Barroco


Toso os cabelos do tempo

– o que me alivia um pouco –

perco até força na voz

e logo me ponho rouco.

Às vezes me pego aflito

e invado a tua cidade

rude e bárbaro eu grito

morto de sede e saudade.

Pra proteger a aldeia

arvoredos e paisagens

me disfarço entre as areias

e o rio em suas imagens.

Se nublado o pensamento

vem embaçar meu sentido

mas nos jogos que eu invento

posso me sentir mais vivo.

A lua com que me encobre

a noite em seu manto escuro

com seu facho nos descobre

reorientando o futuro.

E quando me sinto insano,

me divido – algo louco –

ora sou homem moderno

ora um poeta barroco.
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Um comentário:

teresinha brandão disse...

Álvaro, visitei o site. Amei teus poemas! Parabéns!
Não li os outros textos, mas os poemas são dez, lindos!!!
Bj, Tê!